sexta-feira, abril 30, 2010



quando me mudei pensei pouco no que mudaria, me preocupei muito com como seria a mudança. organizei armário antigo, caixas velhas, frete contratado, despedida do cachorro, ligação pra sindíca nova, paredes pintadas, colchão alocado. organizei tudo e quis me organizar também. mas organizar a si mesmo seria, aí sim, não ter surpresa alguma. pelo menos alguma parte dessa mudança toda tinha que ser surpreendente, não estabelecida, desconhecida.


me enganei outra vez (na maioria me engano, a doce ilusão do ego me faz crer que sempre já pressentia, sabia de alguma maneira). toda aquela organização inicial serviu pra muito pouco. ou melhor, serviu pra muito, tudo deu certo - os armários esvaziaram, as caixas encheram, o frete levou, o cachorro abanou, a síndica assentiu, paredes brancas limpas, colchão macio. a enganação foi achar que organizar organizaria.


pois é, estranho, mas de tanto que tudo estava nos seus devidos lugares o desorganizado apareceu ainda mais. sabe quando tudo está um brinco e você só consegue enxergar aquele bolinho de cabelo no canto do chão? seu olho, magicamente, só vê isso? pois bem, dentro de tanta organização só via a mim mesma, a parte mais desorganizada da história toda. antes fosse menos planejada. assim, eu ia me misturar naquelas caixas bagunçadas e ainda corria o bom risco de ser levada pelo frete pra algum lugar surpreendente. imagina parar no mundo de alice, no país das maravilhas?


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terça-feira, abril 27, 2010

weheartit.com

são palavras
muitas as palavras
palavras pra ir e vir
palavras pra dar e vender
palavras pra esquecer
são sempre palavras
muitas vazias
palavras plastificadas
palavras largadas
palavras desalmadas

são palavras
essas aqui escritas
são palavras
que sempre são ditas
e muito pouco vividas

são palavras
muitas
infinitas
cansativas

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São Palavra chegou
E ao povo discursou
De tanto que o povo aplaudia
São Ação chegou
E fez enquanto o outro dizia

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domingo, abril 25, 2010

nevou ontem antes de eu sair de casa.

o tempo mudou tão rápido

que quando pra casa voltava

de tanto suar o vestido molhava.

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saí sozinha e voltei acompanhada.

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quarta-feira, abril 21, 2010


Quando definir

O que tanto me fez insistir

No mesmo tipo de homem

Naqueles que quero que me amem

E que sempre somem

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No tão esperado dia

Que parar de chorar na pia

E decifrar o mistério da repetição

Do comportamento padrão

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Nesse dia o amor sai do porão

Se encaixa dos desenhos da minha mão.

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segunda-feira, abril 19, 2010

Egito

Quando me enxergo penso: como ele não enxergou?

Ah sim, ele usa óculos e comigo sempre estava sem.
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domingo, abril 18, 2010




Hoje ganhei uma rosa


Branca foi a cor da rosa que ganhei


Hoje ganhei um abraço


Aconchegante foi o abraço que ganhei



Hoje ganhei um afago, um amasso, um laço


Cheiroso foi o afago


Apertado foi o amasso


Vermelho foi o laço



Que envolveu a rosa


Que estimulou a prosa


Do amor do passado


Do amor ainda não realizado.


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sexta-feira, abril 16, 2010


Já escrevi melhor.
Meus sentimentos já foram melhores
Pra descreverem poesias,
Pra virarem palavras rasgadas,
Frases não ditas, escritas.


Já escrevi melhor.
Meus dedos já derramaram melhores dores,
Meu estômago já digeriu pior os amores,
As letras já precisaram ser mais vomitadas
E as frases menos ditadas.


Agora sou ponto com nó,
Coloco pingo no i,
Tenho eira e beira.
Compreendo, entendo, não me vendo
E estou aqui tremendo
Com as palavras que só estão
Em mim e não saem mais em vão.


Ah, não!
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