segunda-feira, dezembro 14, 2009


O começo do fim


É final de ano, de outro ano já. O tempo passou tão rápido, o tempo durou tanto, fiz tanta coisa nesse tempo. É fim de ano, fim de feira, fim de mim. Outro ano, novo ano, novos ares, novos sambas, novos bambas. É o direito que pisa na frente (na dúvida não arrisco). O esquerdo acompanha, o rebolado não acanha, os braços que esvoaçantes roçam nas coxas boas. É final de ano, de outro ano já. O tempo passou tão rápido, o tempo durou tanto, fiz tanta coisa nesse tempo. Mais números, mais linhas, mais páginas. Mais fotos, mais histórias, mais quilômetros. Menos cabelo, menos rigidez na pele. Mesma energia, novos sonhos, novos príncipes, mesmo sapatinho de cristal. É fim de ano, fim do filme, fim do ringue. Só não é fim da gente, do coração que bombeia, do amor que galanteia, o mesmo eu do início de tudo.


----


Começa a sensação da proximidade de outro ano. O relógio corporal e mental já se prepara para fechamentos e aberturas. Reflexões, balanços, sonhos. Papai Noel, ainda posso escrever uma cartinha?




sábado, outubro 17, 2009



Hoje não quis saber só de twitter ou facebook onde as palavras são limitadas e não suficientes para expressões profundas. Os sentimentos resultados de pensamentos e exageros internos, talvez, não cabem só em mim e por isso os compartilho. Pode ser injustiça deixar vocês com essas pulgas atrás da orelha ou bendição fazê-los carregar um pouco de mim em si e sentir que com isso me ajudam a retomar a leveza interna.


---


Sempre me fizeram acreditar que o amor da vida viria em cavalo branco com rosas na mão e poemas ecrito em longos pergaminhos. E que além disso teria o beijo mais quente do universo e as mãos mais sedosas. Eu o identificaria como se viesse com um símbolo só percebido por mim escrito em sua testa. Até hoje encontrei amores sim, conheci cavalos brancos de raça pura, recebi flores e até alguns poemas de uns corajosos. Tudo junto somado a um símbolo nítido, nunca. Nunca no passado e creio que nunca no futuro. Porém, como todos os seres humanos, ainda tenho o direito de dormir e sonhar. Hoje, além de muitos outros dias, sonhei com o encontro de nós dois. Eu e meu amor nos vimos e nos reconhecemos. Não havia símbolos marcados mas a gente sabia. Tínhamos certeza da tranquilidade daquele encontro, da leveza daquele momento. Sentimos as borboletas no estômago .


---


A foto é do belo site de fotografias: http://www.weheartit.com/




domingo, outubro 04, 2009

Dizem que o ser humano será eternamente carente pois estará sempre na busca do cordão umbilical cortado no parto. O vazio interno nunca será totalmente preenchido pois essa sensação de completude do passado não voltará.

---

Me preencho dele
Já o fiz também com outros
Me encho dos abraços familiares
Satisfaço meu ego com elogios alheios
E as cavidades ocas permanecem
Sendo o aqui e agora em cada minuto

---

sábado, setembro 26, 2009



Maria mijona

.

Maria estava conectada a tudo. Tinha todas as formas possíveis e imagináveis de falar com os outros via telefones e computadores. Estava mais lá que cá. Vivia todo o tempo vivendo o além do seu alcance, físico mesmo. Eram mensagens instantâneas e nem tão instantâneas assim; frases curtas ou longas para que vissem o que estava fazendo ou pretendia fazer; textos que expunham a realidade do mundo. Estava tão conectada a tudo. Era tão integrada na tecnologia. Inclusive era reconhecida por sua capacidade de estar em tudo ao mesmo tempo.

.

Claro que, de tanto estar em tudo, Maria esqueceu do que era estar em si mesma. Quando um dia ficou sem seus aparelhos todos, conexão com seu mundo, seu mundo caiu. Percebeu quando, sentada no banco de trás de um táxi silencioso, o rádio foi ligado. Era uma daquelas rádios que tocam música da década de 90, geralmente as mais melancólicas possíveis. Que de tão melancólicas te obrigam a entrar em si mesmo para não precisar ouvir. Quando chegou dentro, se perdeu. Não tinha referências. Pediu pro taxista parar, saiu correndo e beijou o primeiro homem que passou. Agora tinha com o que se ocupar.

quarta-feira, setembro 23, 2009



Viva a Primavera!

.

É tempo de florescer
Desabrochar os botões das rosas
Colorir o jardim urbano
Expandir alegria entre marrons

.

Chegou o tão esperado dia
De comemorar a transformação da natureza
Florir o guarda-roupa de girassóis
Deixar o vestido fluir
Junto à dança do acasalamento do pólen.

.


domingo, setembro 20, 2009




Sopro ao pé do ouvido

(ao som de Chet Baker)

.

Respiração presa, insiste em sair.

Escapa pelo tubo dourado;

Corre e alcança os ouvidos atentos,

Que conectados às outras partes,

Fazem arrepiar até sangue mal circulado.

.

Voz, piano, trompete e quase-respiração.

Erosão de feronômios

Que de internos se externalizam,

E no ar flutuando, se ponen

À espera do sonho chegar

E a noite passar.


sábado, setembro 19, 2009


---

Quando ela ficou solteira quis dar uma de mulher de ferro e inverter os papéis. Virou um pouco homem e, de-igual-para-igual, conheceu um e outro, outro e um, um, dois, três, quatro. Passou alguns meses equilibrando e equilibrada com essa gama de gente.
.
As amigas não entendiam como ela tinha tantos telefones de casos atuais e mantinha ativos cada um deles. Em um chá entre-amigas, contou o segredo: escolhe um prédio com o número de andares equivalente à quantidade de candidatos; coloca um em cada andar com espaço suficiente para sentir-se bem confortável (não esquece que um andar sempre é e continuará sendo o seu). Isso feito, comece a visitar um de cada vez; quando cansar volte para seu cantinho. E se por acaso eles se encontrarem no elevador, nao se preocupe, não vão nem notar algo estranho - eles não vêem os detalhes.