terça-feira, julho 07, 2009




Durante esse tempo que fiquei sem escrever (não só aqui mas na vida), muita coisa aconteceu. Terminou curso; fechou ano particular - iniciou outro; terminaram relações de vez, outras retomaram à ativa; mente voou, mente se reencontrou; corpo amorenou; mapa mundi foi "ticado" um pouco mais; quilos a mais, quilos a menos. O que não mudou muito foi a-boca-quase-virgem-novamente.

Nesse meio-tempo pensamentos vão e vem, como sempre, a mão pega a caneta (lápis pois as canetas terminaram) e as palavras não saem, ò santo não baixa até o papel. As letras estão entaladas na sopa do prato do inverno, ficaram paradas em alguma parte do meu estômago. Parece só haver espaço pra viver, pensar, refletir e angustiar. O resultado dessa mistura toda não têm sido muito artístico. Ah, bom! Há algo que descobri e que tem me ajudado muito no exercício de tentar tirar tudo isso um pouco do meu corpo: comprei um livrinho de colorir. Esse mesmo, para crianças de 4 a 6 anos, com imagens de palhaços, barquinhos, bosques etc. Não ria, é uma terapia e tanto e, mientras tanto, a cabeça vagueia por algum canto escuro (enquanto as cores vão para o livreto) e às vezes funciona: uma luz!

Bom, pessoas têm me dito que poderia juntar minhas fotos e poesias e dessa receita (nível alto de dificuldade, cá entre nós) tirar um bom proveito. Vender, dar de presente, ter na minha prateleira... talvez o resultado até fosse interessante, mas não me sinto capaz de unificar todos os papéis, guardanapos e folhas internas de cadernos variados + fotos em mil-e-uma pastas do meu computador, da memória externa, dos computadores alheios, dos websites etc. Talvez um ano de master em Gestão de empresas não tenha me ajudado muito na organização pessoal. Mas, sinceramente, onde já se viu arte ser organizada? Afinal, o que escrevo é pura arte (hehehe certamente há muitos que discordam), e não consigo nem imaginar como agruparia, como faria um índice, como começaria a organizar esse material de 10 anos de produção. Por data? Por sentimento? Por etapa? Por tema? Amores, Ódios, Medos, Traumas, Viagens.....?


No momento o fato é, continuo sem a capacidade de organizar e sinto continuar tendo a necessidade de produzir. Tem muita coisa (mas muita mesmo) que tá engasgada, que se está organizando (ah, sim, internamente tem um momento que a coisa toma naturalmente seu lugar - talvez porque não tenta ser controlada por um ser externo) e que vai ter que virar algo. Espero que continue virando texto e foto. Venga, va!

segunda-feira, maio 18, 2009



Estamos em tempos de crise. Alguns restaurantes oferecem o menu anti-crisis como apelação final, as lojas fazem promoções diárias, os jornais mudam pouco suas capas. No entanto os temas de entretenimento, incluindo o sexo como tal, não tem a crise clara no seu contexto. Uma revista essa semana tem sua principal matéria dedicada ao sexo en tiempos de crisis. O que conclui? Na verdade não muito em concreto mas sim que a crise afeta esse quesito nas pessoas; uns reagem positivamente e outros negativamente (entende-se como positivo o aumento da quantidade de sexo). Outro assunto que entra nesse bolo é o rock and roll e as drogas, para completar o famoso trio já bem conhecido pela Geração Y. Os rockinhos daqui continuam bem cheios e as drogas continuam bem soltas. É ainda comum ser assediado na rua com alguém te oferecendo as ditas cujas. Seguindo a lei da oferta e da demanda leia-se que o produto continua tendo seu público.


A cidade está linda com a primavera que já chegou pra ficar. A crise, graças ao senhor Criador, ainda não tem a capacidade de atrapalhar os fenômenos naturais. As constantes reclamações do povo da rua ainda não conseguiram influenciar o não-crecimento das lindas flores pela cidade. E ainda que as pessoas estejam tristes pelos temas econômicos, ainda assim, estão muito mais bonitas que antes. O calorzinho e os já-possíves banhos de mar estão trazendo luz aos rostos brancos de inverno. Engraçado, tenho achado muito mais pessoas bonitas pelas ruas... podem ser meus olhos, os seus olhos ou o início da presença de muitos estrangeiros pelas terras catalanas.


Se me permitem sugerir uma pílula anti-crisis, quase por experiência própria... invistamos na velha fórmula de venda cama, mesa e banho. Fazer um bom sexo, cozinhar aquela bela comida cheirosa e por fim um banho gostoso pra curtir o prazer por inteiro. A crise depende do ponto de vista, sempre.

terça-feira, abril 14, 2009




Fase rosa


Rosa bebê

Rosa chock

Rosa fúccia


Cravo e rosa

Manga rosa

Sutien rosa


Rosa morena

Morena rosa

Rosas unhas

Sonhos rosas


São rosas as rosas que me deu

Estão rosas os pensamentos

O jardim florece de rosas tão rosas

Que estou rosa de desejo de você

sábado, abril 11, 2009

A-fruti-síaco

O corpo é imensidão. De emoções e sensações. Tocadas, cheiradas, vistas.
Peles contras umas às outras. A favor. Conhecimento, auto também.

Os morangos maduros vermelhos. Como as suas buchechas envergonhadas. Comidos são.
As buchechas acompanham o abocanhar, de outra fruta agora.

segunda-feira, março 09, 2009




Razão que salva


São as 7:00h, o céu começa a dar seus sinais de bom dia. Já fazem 12 graus a essa hora. Na rua já se vêem olhos nos outros olhos. As roupas não pesam tantos quilos a mais nos corpos. Um pouco de cores, poucas ainda. O sol chama para perto de si a pele branca dos tais meses escondida. Duas horas depois de entregar-se quase como puta de pernas abertas, está vermelha como gringo em Copacabana.




A fruteira recebe novos convidados. Chegam o morango, a manga madura, as maçãs suculentas e... as moscas! Agora já podem sair dos esconderijos escuros, sujos e fedorentos das casas mal limpadas. Retomam o seu lugar, a cozinha de temperatura e cheiros. Como eu gosto dessas tais moscas! Como sentia saudades suas!




São às 23:00h e estou desnuda. E o mais inesperado dessa história: sem apetrechos para facilitar esse ato, sendo esses aquecedores ou homens calientes. O clima está propício para os animais sem couro grosso, sem pele adaptável a temperaturas extremas, para os que têm os olhos brilhantes ao ver a mistura céu azul, sol a pino, pele livre e brisa do mar. Como se pode viver sem isso? Sendo os únicos do reino animal que raciocinam. Assim pensamos: vai passar.

domingo, fevereiro 22, 2009


Um dia dos olhos


Ela acorda cada dia com os olhos inchados, as olheiras da vida que pesa. O primeiro que faz é massagear as bolsas dos olhos, que sabe pelo que leu funcionar como milagre. Com os olhos, agora desinchados segundo seu ponto de vista - só ela percebe os milímitros a mais ou a menos - vê a roupa que vai vestir, o café que vai tomar, o namorado que continua do mesmo lado da cama, a calcinha jogada da noite anterior. Olha chave, elevador, porta, calçada, pessoas, rua, árvores, crianças, cachorros, publicidade, mendigos, céu, pássaros, pessoas, rua, árvores, memórias, bicicleta, sorrisos, crianças, flores, publicidade, caminhão, memórias, memórias, memórias. Fica paralizada nas memórias. Agora só enxerga lembranças. Chega ao trabalho, abre a caixa de correio eletrônico para de verdade ver as tais memórias. Lê emails de amigos que já partiram, vê fotos do sobrinho que nasceu a 2.000km, os spams que esqueceu de apagar, o álbum virtual daquela viagem à Paris. Está imersa nas visões de suas lembranças quando vê o relógio no canto inferior direito e enxerga a realidade. Volta a concentração no trabalho, vê planilhas, telefone, chefe, vale refeição, emails, telefone, pessoas, planilhas, sites. Até que outra vez a imagem do relógio aparece e vê a hora de partir. Os olhos brilham. Corredor, pessoas, ônibus, rua, calçada, cachorro, publicidade, memória, rua, bicicleta, porta, elevador, casa. Quando entra e vê seu amor os olhos, mesmos que passaram o dia vendo razão, enxergam desejo, paixão, sexo. Cama, roupa, olhos, pêlos, parede, lençol, camisinha, abajour, cama, olhos, pêlos. Sono. Os olhos se fecham e descansam de tanto ver. Agora só os da alma vêem. Sonhos.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009


Raiz da palavra

Não tem resposta certa como equação matemática. Só recebemos um índice quando nascemos e, ainda assim, muito pobre de detalhes. Vem só com os grandes títulos. Subtítulos se vão criando a cada etapa do enredo. :: Não é como livro planejado, roteiro comprado, pré-aprovado. É poesia criada passo-a-passo, expelida pelas glândulas lacrimais e sudoríparas. Poesia sem métrica nem ritmo definido. :: Não é sala ordenada, antiquada, lugar certo para o que leva função única. É salão aberto, livre para montagens, distintos públicos presentes, sem fechamento de rotina ou calendário. :::: Se um nega os nãos é porque não está entre nós. :: Os que aqui estamos, um estar em pele além do resto, sabemos que viver é a incerteza em totalidade. :: Os que, ainda que conheçam a máxima esta, se encontram atentos e abertos, vêem que na incerteza sempre há 7 letras de certeza. :: Se é incerta a vida, porque estamos sempre em busca da parte certa dela?